O que eu não te falei

Não sei se você percebeu, mas eu parei de te dizer certas coisas. E também guardei algumas coisas de você, como faço com meus sentimentos. Talvez seja uma recíproca involuntária à sua dificuldade em ser de verdade comigo, talvez não seja por nada mesmo.

Aí, vai ver que é por isso eu não te falei do meu desespero de ter dentro de mim mais do que lembranças de você; nem contei do alívio de saber que estava tudo bem. Também deixei pra lá as vezes em que quase te procurei quando precisei e voltei atrás, pelo simples fato de não sentir que posso contar com a sua ajuda.

Deixo guardada a leve pontada de ódio que tenho da sua falta de consideração, que não é capaz de um simples sinal de fumaça pra dizer que está vivo ou que hoje não dá pra conversar. Se bem que avisar nunca foi seu forte mesmo, a sua natureza grita pra você sumir.

Ainda assim, eu não quis que você soubesse como sou apaixonada pelos seus olhos pequenos, pela sua cara de desenho japonês quando sorri, pelo seu cabelo bagunçado, pelas suas mãos, pelo aconchego do seu abraço. Nem mesmo falei o quanto gosto de te fazer cafuné e te olhar quando você dorme no meio dos meus filmes de moça fresca. E nego até a morte se você ficar sabendo que, nessa história de não-envolvimento, a minha natureza – ou sei lá o quê – me leva a me envolver de novo.

Eu não te contei nada disso. Mas não precisa. Você sabe.

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